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Blythes Moda Brasil

10 de fevereiro de 2014 por Madame Gloxínea divider image

 

O projeto “Blythes Moda Brasil” é uma iniciativa de Vagner Carvalheiro, professor de artes e moda, coordenador de curso técnico gratuito em  Modelagem do Vestuário na ETEC José Rocha Mendes (São Paulo – SP), colaborador do Instituto Clodovil Hernandes e brincante de bonecas Blythe e de Larissa Auto crafter (por hobbie), também colecionadora de Blythes e costureira de mão cheia que uniram-se para contar a história da moda brasileira por meio das bonecas Blythes, criando réplicas adaptadas de roupas que foram importantes para ao história da moda brasileira.

O Brasil sempre foi muito influenciado, por outros países e por outras culturas na área das artes e da moda. Ainda assim, tivemos estilistas e costureiros (as)  que produziram roupas interessantíssimas, impregnadas de significado, memória, cultura e que muito contribuíram para escrever a história da moda brasileira

Para o primeiro trabalho “Blythes Moda Brasil” foi escolhido contar a história de um dos vestidos mais importante para a consolidação da carreira de Clodovil Hernandes: o vestido inspirado na ópera Turandot de Puccini.

Clodovil Hernandes nasceu em 17 de junho de 1937 na cidade de Elisário, interior de São Paulo. Seu interesse por moda começou ainda criança, quando opinava nas roupas de sua mãe, tias e primas, escondido do pai, que não podia saber.  Estudava o primário em um colégio interno dirigido por padres católicos quando um de seus professores o apelidou de “Jacques Fath“, por causa de sua mania de desenhar vestidos. No ano de 1953, aos 16 anos, desenhou 11 vestidos e vendeu seus 6 primeiros desenhos na Florence Modas, loja na rua Barão de Itapetininga, centro de SP, iniciando sua trajetória na moda. Estava cursando o último ano do curso normal. Em 1954, com 17 anos, sua criação para Marlene (cantora de rádio) é publicado na revista Radiolândia.

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Cecil Beaton
figurino Turandot – 1960-61 Dahesh Museum of Art

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Quando, a partir de 1958 a tecelagem Matarazzo-Boussac mobilizou a indústria de moda criando o Festival da Moda Brasileira com o concurso Agulhas de Ouro e Agulhas de Platina na tentativa de fortalecer o consumo de tecidos fabricados no Brasil, Clodovil, na edição de 1960, aos 22 anos, ganha o prêmio Agulhas de Platina com o look inspirado em  George Sand. Na edição de 1961 trabalhando na Casa Signorinella (localizada na rua Maranhão bairro do Pacaembu – SP) concorreu e ganhou o prêmio  Agulhas de Ouro com o modelo Turandot e, conforme publicado na revista O Cruzeiro de 16/12/1961,o vestido era “uma sinfonia em tons amarelo, branco e ouro, em mousseline dégradée Arc-en-Ciel.Corpo comprido e reto, de onde parte a saia em panos godet. Larga estola em duas encharpes”.

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O vestido é composto de um forro (forreau) tomara que caia de cetim amarelo, modelo tomara-que-caia, ajustado no busto e na cintura por pences, a saia é levemente evasê (triangular). Por cima Clodovil criou uma encharpe de musseline dégradé que serve de estola, com pontas que cobrem totalmente os braços e dessem pelo corpo formando uma capa tão comprida que arrasta alguns metros pelo chão. Em torno do decote redondo, há um bordado de miçangas, canutilhos, pedrarias diversas e flores de seda. Provavelmente tenha sido bordada por Dona Izabel Hernandez, sua própria mãe que costumava bordar detalhes em algumas de suas criações no início de sua carreira. O vestido possui uma saia godê também em musseline dégradé que proporciona maior caimento ao vestido quando está parado e uma leveza e volume quando está em movimento.

A ópera Turandot traz as características que tornaram Puccini um dos principais compositores: a beleza melódica e o senso teatral explícito na música. No primeiro ato, o príncipe Calaf esbarra em seu velho pai, auxiliado pela escrava Liù,  em meio à multidão que espera a execução de um dos pretendentes da princesa. Sem interrupção da música, diversos coros aumentam o suspense em torno da figura de Turandot, que finalmente faz uma aparição muda aumentando o suspense em torno da voz da prima donna até a metade do segundo ato que é centrado nos enigmas que a princesa propõe para Calaf. Terminando com o horror de Turandot diante das respostas certas e da decisão do príncipe em lhe dar mais uma chance de permanecer solteira, ele também lhe propõe um desafio: a princesa deverá descobrir seu nome até o amanhecer. O terceiro ato se inicia com a ária que é das mais populares: a atmosfera musical retorna ao início sombrio e aterrorizante, “Nessun dorma” é a ordem da princesa para que ninguém durma em Pequim até descobrir o nome do príncipe estrangeiro, ou todos morrerão. A escrava Liù, que ama o príncipe Calaf em segredo, prefere morrer a revelar o nome dele, suicidando-se na frente de Turandot. Seguido por seu cortejo fúnebre, a angústia e escuridão musical são ininterruptas, até o momento em que a princesa Turandot descobre que ama o príncipe. Seguem-se, enfim, o dueto de amor e o coro final celebrando o futuro casamento, ambos compostos por Franco Alfano após a morte de Puccini. Estreou no Teatro Alla Scala em Milão em 25/04/1926, sob a regência de Arturo Toscanini que não gostou do final criado e, na cena de morte de Liù, virou-se para a plateia e disse: “Senhoras e Senhores, aqui parou Giacomo Puccini“.

Infelizmente o vestido original de 1961 não existe mais. Clodovil confeccionou uma réplica nos anos de 1980 para um desfile beneficente que felizmente encontra-se cuidadosamente preservado no Instituto Clodovil Hernandes e já foi apresentado em diversas exposições. Gosto de ficar imaginando que Clodovil tenha se inspirado nos trajes das antigas cortes orientais chinesas para criar a estola em duas echarpes que confere ao vestido com “ar imperial”. Esta peça também sugere mistério ao esconder o corpo com a quantidade de tecido abaixo da cintura ao mesmo tempo que revela-o, por meio da transparência. Sabe-se que o amarelo, em algumas épocas, era a cor destinada exclusivamente ao imperador da China.

De posse de informações e fotografias, Larissa Auto modelou e confeccionou uma cópia do vestido em escala reduzida e adaptado para as Blythes que poderá ser apreciado nas fotos a seguir.

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