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Governos, governantes e governados

1 de dezembro de 2011 por Tina Diva divider image

Escreva aí Semcabessa, que a magnânima Miss Tina Diva continua a sofrer os efeitos da estagnação do microcosmo, ou seja, fazendo grandes exercícios de imaginação afim de que vocês não sejam privados de suas imprescindíveis tinas-feiras.Desta feita, na semana que findou minha supremacia pegou-se divagando como seria acaso o microcosmo possuísse (ou cogitasse ter) algum tipo de governo. Devo confessar que sequer um terço das coisas que minha divina maravilhosidade imagina de fato acabam na coluna, ou seja, aqui tudo é deveras mais divertido! Invejem se quiserem.A imensa maioria certamente gostaria de viver em uma monarquia, mas uma monarquia medieval, e acaso não fosse coroado o soberano, que ao menos lhe fosse permitido fazer parte da corte, uma vez que já vivem em um seleto grupo que em muito lembra uma. Não faltam aqueles metidos a rainhas ou reis (ou que os tem na barriga), os armados até os dentes feito a guarda real, supostas princesinhas, os dispostos a ser apenas súditos… ora, não faltam sequer os bobos! Para estes, não basta estar ao lado, é necessário ajoelhar e jurar fidelidade. Os “reis” crêem que todos conspiram em desfavor do seu reino, e que qualquer um que passeie fora de suas fronteiras seja automaticamente um inimigo. É uma patética visão maniqueísta. Bem lembrado acéfala escriba! Há também as mesas fartas dos banquetes da corte, e isso é sempre chamariz de bunduda.

Não muito longe se encontra a ditadura, o que no caso microcosmiano (jamais esqueçam, quando minha divina maravilhosidade inventa uma palavra, ela passa automaticamente a existir) consiste em um suposto ditador, sempre dono da verdade e dado a discursos inflamados. Tal qual o barbudo da ilha dos charutos, é capaz de discursar por horas sem fim e sequer perceber que ninguém o escuta. Cada dia mais e mais obtuso, acha que realmente está no poder e elege um inimigo para ser o alvo dos seus ataques. Discursa e ataca. Sem nenhuma coerência, proibiria coisas das quais é usuário (não sem antes logicamente fazer mais discurso). É tão insignificante que não tem capacidade de levantar uma mísera revolta popular.

Já uma (falsa) democracia seria no mínimo curiosa. Primeiramente por que os candidatos seriam não outros senão os reis, rainhas e ditadores. Também haveriam requisitos fundamentais a serem adimplidos para tornar alguém votante; tudo com o manipulativo intuito de fazer com que o resultado se tornasse mais previsível. E os votantes barganhariam seu voto para quem fizesse a melhor oferta, sempre se necessita de algo em troca. Se fossem oferecidos brindes, a marqueteira seria capaz de arrebanhar uma multidão para o seu candidato. E depois logicamente pagar de mártir, para não perder o costume. No fim seriam candidatos e eleitores, cada um tentando obter o máximo de vantagem em cima do outro.

Calma Semcabessa! O microcosmo continua uma terra sem lei e sem governo. E embora o meu exercício de imaginação não se encontre muito longe da realidade, só alguns poucos são capazes de reparar nas sutilezas. E que cada um governe a si próprio!

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