Alice
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Um pouco sobre eu e a Alice? Bem, podemos começar assim: é uma história de amor.
Acho que de todas as histórias de Blythes e suas “mães”, a minha pode ser considerada a mais complicada. Há quase 3 anos, eu conheci uma boneca aparentemente estranha, cabeçuda, mas que me fez sorrir, que me fez passar horas e horas olhando ela, descobrindo mais sobre ela. A “pior” coisa era a confusão na minha cabeça, naquela época, com dez, onze anos, eu estava me desfazendo aos poucos das minhas Barbies, brincar de boneca era coisa de criança, mas num piscar de olhos, eu me apaixono por uma boneca, logo uma boneca, mas era algo além de mim, eu precisava dela, eu queria saber mais sobre ela!
A partir daí, foi uma busca incontrolável pelas Blythes, aprendi tudo o que eu precisava sobre elas, mas o que me fez tremer foi o preço, imagine: “Mãe! Eu sou adolescente, mas quero uma boneca de 300 reais, viu?”. O preço era o principal obstáculo, minha família nunca foi rica, e era apenas o que o meu pai queria pagar era o que agente comprava (risos).
Foi um ano de luta, sim, foi uma luta. Era eu de um lado querendo uma Blythe (ou uma Pullip, porque dentre esse ano foram inúmeras indecisões sobre que doll comprar) e minha mãe do outro dizendo que se um dia ela comprasse, seria um dia bem distante...
Mas, vamos pular essa parte chata, e vamos chegar na melhor, a Alice surgiu na minha vida.
Uns quinze dias antes do meu aniversário de treze anos, eu fiquei o dia inteiro incomodando meus pais, até que eles compraram! Foram dias de angústia, até que um dia antes do meu aniversário (sim, exatamente um dia antes, o presente perfeito!) o zelador do prédio bate na minha porta, minha primeira Blythe havia chegado, foi um momento muito tenso (risos), ele me deu a caixa (eu estava pálida, gelada, ele chegou até a perguntar se eu estava bem), eu não disse nada, fechei a porta e dei um grito muito alto, eu estava sozinha, não tinha ninguém para dividir minha emoção, mas mesmo assim foi inesquecível, fiquei com lágrimas nos olhos ao ver o rostinho dela, minha Blythe, minha Alice estava em minhas mãos, parecia até cena de novela (exagerei agora haha), acho que foi um dos dias mais felizes da minha vida!
Bem, a Alice, nesses onze meses me mudou completamente. Eu descobri um motivo que me faz diferente das outras pessoas, eu sempre vivia acompanhando outros, mas sentia que aquela não era eu, descobri que a verdadeira eu, é a Bruna, simplesmente a Bruna que tem bonecas colecionáveis e fotografáveis (risos). E a Alice é minha maior companheira, ela já foi minha cobaia em customização, minha modelo nas costuras, minha amiga em horas difícies... Ela me escuta, ela fala comigo, ela reclama que quer roupas novas, ela decide que fotos ela quer postar, ela apronta, ela ri, ela chora, ela é uma criança, ela é uma moleca, ela é minha melhor amiga, ela é uma boneca. Simplesmente, ela é uma boneca. Eu não nego isso, mas que boneca já te consolou? Que boneca já te deu conselhos? Que boneca já te disse: “Vá em frente, siga seus sonhos!”? Que boneca já te disse: “Faça isso, e você vai quebrar a cara”?
A minha boneca já fez tudo isso, a minha boneca faz eu me sentir feliz. A minha Alice, me faz sorrir.
Viu? É uma história de amor.

